segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

"Vou ter que guardar o potinho para amanhã. Ecate".

Fazer a tal da contraprova.

Que não vai dar em nada. 

Porque é óbvio que o resultado foi alterado por uma provável infecção urinária.

Terminamos de nos arrumar. Prontos para o almoço de Natal. 

Os hunos, digo, minha família, nos esperam.

Fá pergunta se a gente vai contar para eles.

"O quê?!"

"Que a gente acha que você está grávida".

Eu amo esse cara. Muito. Mas, às vezes, eu me pergunto "por quê?" e penso em matá-lo na sequência. Quando ele sugere contar para minha família que eu estou grávida sem termos certeza. Em pleno almoço de Natal. 

Não sei o que faria a sua família numa situação dessas.

A minha faria a chegada dos quatro cavaleiros do apocalipse parecer um evento discreto.

Me vejo sendo arrastada para o hospital. Todos falando ao mesmo tempo. Discutindo os possíveis nomes, profissões, time de futebol, gostos sexuais, opções de aposentadoria do futuro rebento... 

Essa família não sabe lidar com incertezas. Não do tipo que envolvem um bebê numa festa de Natal. Eles vão querer certezas. Vão exigir exames. Provas, contraprovas.

E, depois disso, a criança. 

E pobre de mim, do Fá e do médico, se não formos capaz de entregar esse bebê ali, na mesma hora.

Minha família não tem um nenê há 20 anos. Pelo menos não um próximo, ao alcance da mão da maioria. E eu sou a primogênita. E meu pai morreu ano passado e estamos todos com o coração partido esperando uma cura, ou um alívio, que bem poderia vir na forma de uma coisa fofinha e balbuciante, chamada bebê... 

Eu consigo pensar em 20 mil motivos para não fazer isso em menos de um segundo. 

"Você está louco?! Quer contar para minha mãe, meus irmãos e meus tios, tudo ao mesmo tempo que eu posso estar grávida, sem ter certeza?!"

Vejo a luz atingindo seus pensamentos.

"Melhor não, né? A gente nem tem certeza"

"E deve ser infecção urinária".

"É". 

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