Embora as possibilidades fossem remotíssimas, meu pavor inconsciente (ou nem tanto) da gravidez causou uma estranha reação orgânica: atraso da menstruação.
Essa situação foi resolvida de forma simples. Um teste de farmácia. O resultado negativo desbloqueava os fluxos, desfazia trabalhos, amarrava o amor, desamarrava o tcham e lá vinha a tão ansiada menstruação e a certificação "não-grávida" mais uma vez.
Eu elaborei minha tese: se eu fizesse um teste de farmácia, menstruaria, minha TPM passaria, o mundo voltaria ao normal. Infelizmente para o Fá, meus peitos idem.
A minha azia, por mais estranha que fosse, seria resolvida pelo Dr. Carlos Fofinho e ainda me garantiria uma maravilhosa viagem ao mundo dos sonhos regados a propofol.
Ele concordou. Não porque tenha feito algum sentido, ou porque meu blábláblá tivesse algum embasamento científico. A essa altura do campeonato, ele já sabe que nem adianta contrariar...
"Amanhã a gente compra" e virou pro lado e dormiu.
"Amanhã" era véspera de Natal. Quem é que faz teste de farmácia num dia desses? Ninguém. Quer dizer, pelo menos não a gente.
De manhã no "amanhã", eu acordei com cólica. "Tá vendo?! É um sinal! Só de falar no teste já tá fazendo efeito".
Paro e respiro fundo. Se bem que era mais uma dor de barriga...
O Google realmente não sabe de nada. Provavelmente, eu tinha gases. E mais nada.
"Aposto que se eu peidar, passa".
Parêntese para as revistas femininas: sim, eu sei, o romantismo nos impede de falar em gases... mais ainda em peidar. Enfim, nós não somos românticos. Peidamos, sabemos que peidamos e nos amamos assim mesmo. Fecha parêntese.
"E se for um nenê e não um pum?", ele pergunta.
"Então, vai se chamar Hélio".
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