"Vou ter que guardar o potinho para amanhã. Ecate".
Fazer a tal da contraprova.
Que não vai dar em nada.
Porque é óbvio que o resultado foi alterado por uma provável infecção urinária.
Terminamos de nos arrumar. Prontos para o almoço de Natal.
Os hunos, digo, minha família, nos esperam.
Fá pergunta se a gente vai contar para eles.
"O quê?!"
"Que a gente acha que você está grávida".
Eu amo esse cara. Muito. Mas, às vezes, eu me pergunto "por quê?" e penso em matá-lo na sequência. Quando ele sugere contar para minha família que eu estou grávida sem termos certeza. Em pleno almoço de Natal.
Não sei o que faria a sua família numa situação dessas.
A minha faria a chegada dos quatro cavaleiros do apocalipse parecer um evento discreto.
Me vejo sendo arrastada para o hospital. Todos falando ao mesmo tempo. Discutindo os possíveis nomes, profissões, time de futebol, gostos sexuais, opções de aposentadoria do futuro rebento...
Essa família não sabe lidar com incertezas. Não do tipo que envolvem um bebê numa festa de Natal. Eles vão querer certezas. Vão exigir exames. Provas, contraprovas.
E, depois disso, a criança.
E pobre de mim, do Fá e do médico, se não formos capaz de entregar esse bebê ali, na mesma hora.
Minha família não tem um nenê há 20 anos. Pelo menos não um próximo, ao alcance da mão da maioria. E eu sou a primogênita. E meu pai morreu ano passado e estamos todos com o coração partido esperando uma cura, ou um alívio, que bem poderia vir na forma de uma coisa fofinha e balbuciante, chamada bebê...
Eu consigo pensar em 20 mil motivos para não fazer isso em menos de um segundo.
"Você está louco?! Quer contar para minha mãe, meus irmãos e meus tios, tudo ao mesmo tempo que eu posso estar grávida, sem ter certeza?!"
Vejo a luz atingindo seus pensamentos.
"Melhor não, né? A gente nem tem certeza"
"E deve ser infecção urinária".
"É".
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Dizia alguém que conheci que quem pergunta corre o risco da resposta.
Isso vale também para testes de farmácia que envolvam fazer xixi no palitinho.
O Fá comprou um desses que vêm com prova e contraprova para uso no primeiro xixi matinal. Meigo.
Lá fui eu.
Leio a bula, o modo de usar. Penso em que foi o estúpido que pensou em vender um exame desses em que não se pode fazer xixi diretamente no palitinho e que não te vende também a porcaria do potinho.
Quase me mijando saio pela casa à procura de algo para usar como recipiente que possa ser jogado fora depois.
Acho. Volto pro banheiro. Luto com a calcinha. É sempre assim quando a gente tá apertado.
Enfim, xixi... no potinho. Palitinho no potinho.
Tem que esperar 5 minutos.
Vou ali, ler um pouco.
Volto algumas páginas depois. 5 minutos.
O palitinho mostra dois risquinhos.
A caixa do exame diz: dois risquinhos = grávida.
Fico girando aquele troço. De repente do outro lado os risquinhos se emendaram, virando um.
Nada.
Mas, ó: um risquinho tá mais fraco.
A caixa diz que não importa. Eu ignoro. Porque a caixa também diz que infecções urinárias podem alterar o resultado.
Ando com uma dor aqui, nas costas. No rim, sabe? Duas semanas atrás o médico disse que era o ciático. Claro que ele não sabia o que tava falando. Certeza que era infecção urinária.
Por isso um risquinho mais fraco.
Ligo pro Fá.
"E aí?"
"Então... deu mais ou menos grávida".
Isso vale também para testes de farmácia que envolvam fazer xixi no palitinho.
O Fá comprou um desses que vêm com prova e contraprova para uso no primeiro xixi matinal. Meigo.
Lá fui eu.
Leio a bula, o modo de usar. Penso em que foi o estúpido que pensou em vender um exame desses em que não se pode fazer xixi diretamente no palitinho e que não te vende também a porcaria do potinho.
Quase me mijando saio pela casa à procura de algo para usar como recipiente que possa ser jogado fora depois.
Acho. Volto pro banheiro. Luto com a calcinha. É sempre assim quando a gente tá apertado.
Enfim, xixi... no potinho. Palitinho no potinho.
Tem que esperar 5 minutos.
Vou ali, ler um pouco.
Volto algumas páginas depois. 5 minutos.
O palitinho mostra dois risquinhos.
A caixa do exame diz: dois risquinhos = grávida.
Fico girando aquele troço. De repente do outro lado os risquinhos se emendaram, virando um.
Nada.
Mas, ó: um risquinho tá mais fraco.
A caixa diz que não importa. Eu ignoro. Porque a caixa também diz que infecções urinárias podem alterar o resultado.
Ando com uma dor aqui, nas costas. No rim, sabe? Duas semanas atrás o médico disse que era o ciático. Claro que ele não sabia o que tava falando. Certeza que era infecção urinária.
Por isso um risquinho mais fraco.
Ligo pro Fá.
"E aí?"
"Então... deu mais ou menos grávida".
Unidos em pecado, como diria minha sogra da nossa união estável, separados na ceia de Natal.
Ele lá, eu cá.
Ceia de Natal é uma coisa meio inegociável nas respectivas famílias e não dá para atendermos às duas.
Dividir para conquistar, é o segredo.
E responder todas as perguntas de todos os parentes do porquê o outro não veio.
E, no meu caso, assegurar a todos que no almoço do dia 25, pelo menos, o Fá estará lá.
Véio Dédis levou vinho. Abracei uma garrafa para chamar de minha e me dediquei a ela.
Sei lá. Não tava descendo muito redondo, sabe? E, olha, não sou enóloga. Em ocasiões festivas, especialmente aquelas que envolvem mais de três membros da família ao mesmo tempo, sou super favorável a tomar qualquer vinho. Qualquer um mesmo.
Não era uma questão de paladar. Sei lá. Só não tava fazendo o efeito desejado. Nada de felicidade etílica para mim. Só mau humor temperado por sarcasmo, como se não houvesse amanhã. Maldita TPM!
Meia noite. Feliz Natal, pessoal. Ligação do Fá. Entre desejos de felicidades, perguntas sobre a ceia e as respectivas famílias, faço um pedido.
"Antes de vir amanhã, me traz um exame de farmácia. Não aguento mais essa TPM".
Aconteceu outras vezes.
Embora as possibilidades fossem remotíssimas, meu pavor inconsciente (ou nem tanto) da gravidez causou uma estranha reação orgânica: atraso da menstruação.
Essa situação foi resolvida de forma simples. Um teste de farmácia. O resultado negativo desbloqueava os fluxos, desfazia trabalhos, amarrava o amor, desamarrava o tcham e lá vinha a tão ansiada menstruação e a certificação "não-grávida" mais uma vez.
Eu elaborei minha tese: se eu fizesse um teste de farmácia, menstruaria, minha TPM passaria, o mundo voltaria ao normal. Infelizmente para o Fá, meus peitos idem.
A minha azia, por mais estranha que fosse, seria resolvida pelo Dr. Carlos Fofinho e ainda me garantiria uma maravilhosa viagem ao mundo dos sonhos regados a propofol.
Ele concordou. Não porque tenha feito algum sentido, ou porque meu blábláblá tivesse algum embasamento científico. A essa altura do campeonato, ele já sabe que nem adianta contrariar...
"Amanhã a gente compra" e virou pro lado e dormiu.
"Amanhã" era véspera de Natal. Quem é que faz teste de farmácia num dia desses? Ninguém. Quer dizer, pelo menos não a gente.
De manhã no "amanhã", eu acordei com cólica. "Tá vendo?! É um sinal! Só de falar no teste já tá fazendo efeito".
Paro e respiro fundo. Se bem que era mais uma dor de barriga...
O Google realmente não sabe de nada. Provavelmente, eu tinha gases. E mais nada.
"Aposto que se eu peidar, passa".
Parêntese para as revistas femininas: sim, eu sei, o romantismo nos impede de falar em gases... mais ainda em peidar. Enfim, nós não somos românticos. Peidamos, sabemos que peidamos e nos amamos assim mesmo. Fecha parêntese.
"E se for um nenê e não um pum?", ele pergunta.
"Então, vai se chamar Hélio".
Talvez tenha sido a perspectiva de encher a cara de Omeprazol na ceia de Natal, ou uma premonição e também déjà vu sobre botar para fora todas as delícias natalinas que me fez achar estranha aquela azia toda.
Azia é uma coisa relativamente comum para quem tem gastrite. Ou para quem está volta e meia de ressaca.
A gente meio que desenvolve um relacionamento. Passa a conhecer os soluços, os arrotos, a queimação. Sabe que bate normalmente quando o estômago está vazio, ou quando comemos rápido demais.
Por isso não tava fazendo muito sentido aquela azia never ends. De manhã... burp! À tarde... burp. À noite... burp! Eu tava arrotando até em sonho!
Definitivamente, aquilo estava parecendo cada vez menos gastrite.
E minha TPM estava ficando cada vez pior, mais forte e mais estranha.
Numa noite de ócio, entre um post mequetrefe do Facebook e um burp e outro, recorri ao oráculo moderno, pensando em algo um pouco mais dramático que uma gastrite. Uma úlcera.
Só azia me trouxe cem milhões de resultados possíveis e resolvi somar os sintomas todos para ver o que dava.
Barra de busca do Google: azia + prisão de ventre + cansaço + dor no corpo + seios inchados.
Em 0,50 segundos, o Google me apresentou 115.000 respostas.
Eu não chequei todas. A partir do terceiro resultado, meu cérebro entrou em estado de negação.
GRAVIDEZ.
Só podia ser por causa dos "seios inchados". Excluí.
120 mil resultados. GRAVIDEZ.
Vamos tirar esse "dor no corpo" daí.
326 mil resultados... GRAVIDEZ, de novo?! Mas, que porra?!
A exclusão de "cansaço" só trouxe 90.700 resultados. Não contei. Ouso dizer que 90 mil continham a palavra GRAVIDEZ ou uma de suas variantes.
"Fá, o Google tá dizendo que eu tô grávida!"
"Será?"
"Tô nada! Esse Google não sabe porra nenhuma!"
Azia é uma coisa relativamente comum para quem tem gastrite. Ou para quem está volta e meia de ressaca.
A gente meio que desenvolve um relacionamento. Passa a conhecer os soluços, os arrotos, a queimação. Sabe que bate normalmente quando o estômago está vazio, ou quando comemos rápido demais.
Por isso não tava fazendo muito sentido aquela azia never ends. De manhã... burp! À tarde... burp. À noite... burp! Eu tava arrotando até em sonho!
Definitivamente, aquilo estava parecendo cada vez menos gastrite.
E minha TPM estava ficando cada vez pior, mais forte e mais estranha.
Numa noite de ócio, entre um post mequetrefe do Facebook e um burp e outro, recorri ao oráculo moderno, pensando em algo um pouco mais dramático que uma gastrite. Uma úlcera.
Só azia me trouxe cem milhões de resultados possíveis e resolvi somar os sintomas todos para ver o que dava.
Barra de busca do Google: azia + prisão de ventre + cansaço + dor no corpo + seios inchados.
Em 0,50 segundos, o Google me apresentou 115.000 respostas.
Eu não chequei todas. A partir do terceiro resultado, meu cérebro entrou em estado de negação.
GRAVIDEZ.
Só podia ser por causa dos "seios inchados". Excluí.
120 mil resultados. GRAVIDEZ.
Vamos tirar esse "dor no corpo" daí.
326 mil resultados... GRAVIDEZ, de novo?! Mas, que porra?!
A exclusão de "cansaço" só trouxe 90.700 resultados. Não contei. Ouso dizer que 90 mil continham a palavra GRAVIDEZ ou uma de suas variantes.
"Fá, o Google tá dizendo que eu tô grávida!"
"Será?"
"Tô nada! Esse Google não sabe porra nenhuma!"
"Nossa, Fá! Estou parecendo uma vaca!"
Essa é a frase comumente inaugural da temporada oficial da TPM aqui em casa.
Para os que precisam de explicações detalhadas, a referência bovina serve como paralelo ao tamanho dos meus seios.
Peitinhos médios, num dia normal. Mais para "P", como já disse um amigo.
A minha metamorfose (mais ou menos) mensal na sagrada ruminante me permite preencher um sutiã 44. E vá lá!
Dessa vez, olhando pro espelho, achei que Papai Noel talvez tivesse atendido um desejo de Natal do Fá... ele foi mesmo um bom menino, em 2013. Por que não ganhar uma namorada com peitos 46, ainda que por uma ou duas semanas?!
Mesmo que fosse só para olhar, porque só isso já era suficiente para sentir uma dor escabrosa na peitola.
Normal de TPM.
Assim como também é normal de TPM a dor no corpo.
O cansação me fazendo dormir em qualquer lugar.
A variação de humor modo hard plus master blaster ninja. Ou chorando com matérias sobre transporte aéreo de carga em revistas de bordo; ou pensando em encomendar uma ogiva nuclear do Irã e despejar na cabeça de alguém.
Normal de TPM também a vontade de comer coisas indistintas mas classificáveis na categoria "gostosas" ou "gordice".
Nem tão normal de TPM assim a prisão de ventre (papo agradável, né? Falar de cocô...), mas às vezes acontece.
O que não acontece é a azia.
Não tem nada a ver com TPM.
Mas, tem a ver com dezembro. Happy hours, festas de aniversário épicas, amigos secretos, fim de ano... Álcool e guloseimas diversas e pouco saudáveis em doses cavalares.
Azia = gastrite. Até lembrei de pedir o telefone do Dr. Carlos Fofinho pro Fabito.
Lá pelo dia 20 de dezembro, Francisco foi declarado oficialmente atrasado. Nada demais. Mas eu já estava nessa de TPM há quase duas semanas.
E a tal da azia lá. Sabe como é?
Gastrite, na certa. E TPM.
Final do ano prometia. Omeprazol na ceia de natal. O.B. no Ano Novo.
Essa é a frase comumente inaugural da temporada oficial da TPM aqui em casa.
Para os que precisam de explicações detalhadas, a referência bovina serve como paralelo ao tamanho dos meus seios.
Peitinhos médios, num dia normal. Mais para "P", como já disse um amigo.
A minha metamorfose (mais ou menos) mensal na sagrada ruminante me permite preencher um sutiã 44. E vá lá!
Dessa vez, olhando pro espelho, achei que Papai Noel talvez tivesse atendido um desejo de Natal do Fá... ele foi mesmo um bom menino, em 2013. Por que não ganhar uma namorada com peitos 46, ainda que por uma ou duas semanas?!
Mesmo que fosse só para olhar, porque só isso já era suficiente para sentir uma dor escabrosa na peitola.
Normal de TPM.
Assim como também é normal de TPM a dor no corpo.
O cansação me fazendo dormir em qualquer lugar.
A variação de humor modo hard plus master blaster ninja. Ou chorando com matérias sobre transporte aéreo de carga em revistas de bordo; ou pensando em encomendar uma ogiva nuclear do Irã e despejar na cabeça de alguém.
Normal de TPM também a vontade de comer coisas indistintas mas classificáveis na categoria "gostosas" ou "gordice".
Nem tão normal de TPM assim a prisão de ventre (papo agradável, né? Falar de cocô...), mas às vezes acontece.
O que não acontece é a azia.
Não tem nada a ver com TPM.
Mas, tem a ver com dezembro. Happy hours, festas de aniversário épicas, amigos secretos, fim de ano... Álcool e guloseimas diversas e pouco saudáveis em doses cavalares.
Azia = gastrite. Até lembrei de pedir o telefone do Dr. Carlos Fofinho pro Fabito.
Lá pelo dia 20 de dezembro, Francisco foi declarado oficialmente atrasado. Nada demais. Mas eu já estava nessa de TPM há quase duas semanas.
E a tal da azia lá. Sabe como é?
Gastrite, na certa. E TPM.
Final do ano prometia. Omeprazol na ceia de natal. O.B. no Ano Novo.
Quando você virou mocinha (menstruou pela primeira vez), tua mãe (ou tia, avó, professora, amiga de escola... e até seu pai, de repente) teve com você aquela conversa sobre sexo, gravidez, blá, blá, blá.
Essas conversas normalmente não são fáceis para ninguém, então você deve se lembrar mais ou menos dela até hoje. Ainda que ela tenha ocorrido há séculos.
Uma das coisas que te falaram foi que, uma vez que você passou a menstruar, poderia engravidar.
E logo, logo, você soube que o atraso ou ausência de menstruação eram um sinal de gravidez.
Ah, as reguladas desse mundão de meu deus! Quanta aflição se o bendito chico não chegasse exatamente às 14.38 do dia 17 de cada mês!
Ah, as desreguladas, pobrezinhas! Um eterno suspense a partir do minuto seguinte a qualquer transa desprotegida...
Eu nunca regulei bem. Nem da cabeça, nem do útero.
Depois de 22 anos vivendo com um francisco inconstante, não é qualquer atrasinho, ou atrasão, que me bota ansiosa.
Menos motivo tive, então, se não houve atraso de nenhum tipo.
Se, a contrariar a própria natureza pouco inglesa de sua hóspede, chico chegou adiantado. Um dia ou dois, para não levantar alarde.
Pois é, final de novembro, eu menstruei. Qualquer apreensão que pudesse existir, foi-se embora com o ciclo do mês.
Bendito, Francisco!
Você já ouviu essa piada.
Sabe qual a semelhança entre o casamento e pular numa piscina gelada?
Quem está dentro sempre diz para quem está fora que a água está ótima.
Essa é (ou era) a minha relação com a maternidade.
Por isso, eu prestei bastante atenção quando, aos meus quatorze anos, papai resolveu ter aquela conversa sobre métodos contraceptivos comigo.
Devo ter gastado alguns milhares de reais em camisinhas e pílulas anticoncepcionais. E, certamente, uma centena de orações naquela meia dúzia de vezes em que um ou outro falhou.
Pacotes de camisinha passaram a integrar a decoração da minha casa. Não é difícil, mesmo agora, encontrar um entre os livros na estante, na mesa de jantar, no armário do banheiro... e, creia-me, até na cozinha.
Daí que quase me faz acreditar no destino e toda essa papagaiada o namorado não ter encontrado nenhuma numa noite qualquer no fim de outubro passado.
Nada de camisinha. Especialmente onde deveriam estar (na primeira gaveta da cômoda, junto com os biquinis, os passaportes e outras utilidades de primeira necessidade). O que comprova que camisinhas funcionam apenas 95% das vezes. Nas outras 5% elas não foram encontradas.
Não combinamos nada. Mas, pensamos a mesma coisa. Bom, só fazia um ou dois dias do término da minha menstruação. Zona de segurança, certo?
Não entendo nada de maternidade, mas fica aqui o meu conselho para quem não quer engravidar: NUNCA acredite na tabelinha.
Naquela única e constrangedora aula de educação sexual que algum professor descolado do segundo grau se arriscou a dar, ele estava falando sério quando te disse que esse era o método contraceptivo mais falho.
E só para constar, o milagre da concepção é bem discreto. Não rolou uma chuva de ouro (http://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%A2nae), um anjo com trombetas, nem nada parecido.
A gente virou pro lado e dormiu tão sem filhos como naquela manhã. Beeeem longe daquela piscina...
Devo ter gastado alguns milhares de reais em camisinhas e pílulas anticoncepcionais. E, certamente, uma centena de orações naquela meia dúzia de vezes em que um ou outro falhou.
Pacotes de camisinha passaram a integrar a decoração da minha casa. Não é difícil, mesmo agora, encontrar um entre os livros na estante, na mesa de jantar, no armário do banheiro... e, creia-me, até na cozinha.
Daí que quase me faz acreditar no destino e toda essa papagaiada o namorado não ter encontrado nenhuma numa noite qualquer no fim de outubro passado.
Nada de camisinha. Especialmente onde deveriam estar (na primeira gaveta da cômoda, junto com os biquinis, os passaportes e outras utilidades de primeira necessidade). O que comprova que camisinhas funcionam apenas 95% das vezes. Nas outras 5% elas não foram encontradas.
Não combinamos nada. Mas, pensamos a mesma coisa. Bom, só fazia um ou dois dias do término da minha menstruação. Zona de segurança, certo?
Não entendo nada de maternidade, mas fica aqui o meu conselho para quem não quer engravidar: NUNCA acredite na tabelinha.
Naquela única e constrangedora aula de educação sexual que algum professor descolado do segundo grau se arriscou a dar, ele estava falando sério quando te disse que esse era o método contraceptivo mais falho.
E só para constar, o milagre da concepção é bem discreto. Não rolou uma chuva de ouro (http://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%A2nae), um anjo com trombetas, nem nada parecido.
A gente virou pro lado e dormiu tão sem filhos como naquela manhã. Beeeem longe daquela piscina...
"Crescei e multiplicai-vos", disse deus (acho que foi ele, meus conhecimentos bíblicos não são dos melhores).
E, a partir daí, supostamente, o sonho máximo de toda mulher passou a ser um só: garantir a vontade de deus através da bendita maternidade.
Ninamos bonecas, as chamamos de filhas, somos ensinadas (ou agimos de acordo com nossa natureza?) a cuidar. Uma vida se preparando para gerar outra.
Aos dez anos, às vezes, já sabemos quantos filhos teremos e quais os seus nomes.
Aos quinze, com sorte, saberemos que ter um filho chamado Guaxupé talvez não seja tão legal quanto parecia na nossa tenra infância.
Aos 30 estamos desesperadas atrás de um parceiro (é o que eles pensam... e algumas de nós realmente estão) apto/digno a reproduzir a espécie conosco.
Aos 32 começam a soar as badaladas condenatórias à solidão e esterilidade na cabeça de boa parte daquelas que ainda não têm filhos.
Aos 35 se é um caso perdido, e se começa a torcer por sobrinhos...
Enfim, passamos boa parte da vida ansiando pelas maravilhas da maternidade. A glória de dar a luz. De gerar um vida. A benção de ser mãe.
Esse estado que nos equipara a deus.
Mas, e se você, criatura feminina original, achou deus muito mandão, o mundo muito cheio (e muito louco) e disse "não, não quero filhos"?!
Eu sou essa garota.
Ou era.
E sobre o como eu fui aquela garota e deixei de ser é esse blog. E sobre como é virar mãe... ou tentar, pelo menos.
E, a partir daí, supostamente, o sonho máximo de toda mulher passou a ser um só: garantir a vontade de deus através da bendita maternidade.
Ninamos bonecas, as chamamos de filhas, somos ensinadas (ou agimos de acordo com nossa natureza?) a cuidar. Uma vida se preparando para gerar outra.
Aos dez anos, às vezes, já sabemos quantos filhos teremos e quais os seus nomes.
Aos quinze, com sorte, saberemos que ter um filho chamado Guaxupé talvez não seja tão legal quanto parecia na nossa tenra infância.
Aos 30 estamos desesperadas atrás de um parceiro (é o que eles pensam... e algumas de nós realmente estão) apto/digno a reproduzir a espécie conosco.
Aos 32 começam a soar as badaladas condenatórias à solidão e esterilidade na cabeça de boa parte daquelas que ainda não têm filhos.
Aos 35 se é um caso perdido, e se começa a torcer por sobrinhos...
Enfim, passamos boa parte da vida ansiando pelas maravilhas da maternidade. A glória de dar a luz. De gerar um vida. A benção de ser mãe.
Esse estado que nos equipara a deus.
Mas, e se você, criatura feminina original, achou deus muito mandão, o mundo muito cheio (e muito louco) e disse "não, não quero filhos"?!
Eu sou essa garota.
Ou era.
E sobre o como eu fui aquela garota e deixei de ser é esse blog. E sobre como é virar mãe... ou tentar, pelo menos.
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