domingo, 9 de março de 2014

Eu sempre fui - e continuo sendo - a favor da descriminalização do aborto e de permitir à mulher escolher se, enfim, ela quer dar luz ao fruto do seu ventre.

E não apenas em casos de estupro, risco à vida da mãe, ou má formação fetal grave.

Em qualquer caso.

Por isso, num momento em que o choque deu uma pausa e nosso cérebro voltou a funcionar o de sempre, eu e o Fá tivemos essa conversa.

Enquanto ele se desesperava, repetindo em vários tons "eu vou ser pai", eu disse simplesmente "ou não, ainda dá tempo".

A resposta dele foi imediata: não. 

Não me surpreendeu nem um pouco. A que não queria filhos no casal era eu.

Depois, ele respirou fundo e me perguntou se eu não queria.

Engoli o sanduíche natural que comia e aproveitei o tempo da mastigação para pensar.

Eu não queria. Fato.

Continuo não querendo? Não sabia responder isso.

Sem saber direito o que sentia, resolvi, como de praxe, usar a razão.

36 anos. Emprego estável. Relacionamento idem. Não sou exatamente uma odiadora de crianças ou coisa parecida. Sim, o mundo é louco. Provavelmente sempre foi. 

Enfim, nenhum motivo real para ter um filho. Mas também nenhum motivo para não tê-lo.

Por fim, a pergunta realmente importante: eu seria capaz de amar essa criança que eu nunca quis?

Olhei pro Fá e pensei que a criança seria um pouco como ele. E como eu. E como todas as pessoas que amamos. Teria pequenas partes de nós e dos nossos.

Sim, eu seria.

"Acho que podemos fazer isso. Ter esse bebê".

Eu respondi no plural, mas foi uma resposta no singular.

Uma decisão minha. De, enfim, ser mãe.

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