domingo, 9 de março de 2014

Ainda estamos em choque com o parabéns do médico da recepção. 

O meu pânico é tamanho que a médica que ouve o meu relato sobre a cólica nem dúvida. Tenta me tranquilizar. Diz que, provavelmente, é só uma infecção urinária, mesmo, mas que vai pedir um ultrassom só para se certificar que o colo do útero está bem fechado.

Enquanto espero para fazer o bendito ultrassom, mais exame de sangue e mais xixi no potinho. 

Finalmente, sou chamada para o ultrassom. 

Agarro na mão do Fá e vamos juntos. O enfermeiro não questiona. Até deixa ele fica na sala de espera reservada aos pacientes.

Ninguém quer deixar uma grávida abandonada. 

Não devemos ter esperado muito. Claro que para mim foi o equivalente a séculos.

Finalmente, uma enfermeira sorridente vem me chamar.

Entro na sala de ultrassom e o primeiro choque: transvaginal (para leigos e para quem nunca fez, ou não tem vagina: a mulher se deita com as pernas separadas e um pouco elevadas - famosa posição frango assado - e o médico introduz no canal vaginal algo parecido com o dedo do ET, aquele que acende. Para garantir a higiene e tal, ele ainda veste uma camisinha nesse troço e aplica um gel na ponta. Sim, amigos, é quase uma penetração).

A enfermeira me explica que é por causa do tempo de gravidez. Como está muito no começo, só a transvaginal é capaz de dar visibilidade ao feto.

O médico entra, prepara o aparelho, pede licença - simmmmm, eles sempre pedem licença - e introduz o ultrassom.

Eu, como sempre nesses exames, fico olhando pro teto... e aí eu o escuto dizer: fique tranquila, seu bebê está bem. 

Meus amigos, minhas amigas, uma coisa que não é confortável - e nem remotamente recomendável de se fazer - é sentar-se com o aparelho de ultrassom transvaginal dentro de você.

Mas, a palavra bebê e contexto dela dentro do meu útero, me fez saltar sobre minhas nádegas e quase gritar "o quê?!"

O médico, possivelmente supondo que era a alegria de saber que estava tudo bem, virou a tela do ultrassom para me mostrar o que ele estava vendo.

E lá estava na tela algo parecido com um girino, com um coração que batia tão forte que eu tinha a impressão de que levantava a sua pele (e talvez o fizesse, mesmo).

"Que coisa louca de meu deus!", foi o que eu disse.

E o médico, todo animado: "não é mesmo? Muito interessante, não é?"

"Muito... muito interessante".

Ele continuou falando alguma coisa sobre o bebê, a gravidez, e sei lá mais o quê. Capitei algumas poucas coisas. 8 semanas e 2 dias... 

Depois de liberada, saí da sala em transe.

O Fá me esperava, sentando, lendo uma revista. 

Eu olhei para ele, apontei pra minha barriga e disse: "tem alguém dentro de mim. Tem uma pessoa aqui dentro".

E caí sentada na cadeira.

Ele me abraçou, meio rindo, meio chorando. Ambos de desespero, eu acho.

Sim, o google estava certo.

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