domingo, 9 de março de 2014

Acordamos cedo. Temos uma missão.

Fazer um ultrassom e ver que não há nada dentro do meu útero. 

O google, o exame do xixi no pauzinho, a mensuração de BhCG no sangue estão todos errados! Blé! Vocês não sabem de nada! 

Dia 27 de dezembro, último dia útil do ano para muita gente, eu e o digníssimo saímos por aí à procura de um laboratório que fizesse um ultrassom "para descobrir se estou grávida" de encaixe.

Ahã.

O que tinha disponibilidade na agenda fez uma requisição impensável (para nós, claro): o pedido médico. 

Oi? Como assim? Precisa de pedido médico? Precisa.

Meu médico parou de atender no dia 20. 

"Vamos ter que esperar voltar de viagem".

Olho para ele. Quero saber se está falando sério. Como eu conseguirei sobreviver mais um dia na incerteza?! Não! 

"Vamos pro pronto socorro".

Ele me olha certo de que eu tô doida.

"Estou com essa cólica renal há dias, não estou? Vamos pro pronto socorro. Eles pedirão um ultrassom".

E fomos.

Véspera de ano novo e pronto socorro lotado. 

Sem pensar muito, pego uma senha preferencial. O segurança me olha desconfiado. Digo que estou no começo da gestação. 2 meses.

Enquanto esperamos ser chamados, tenho uma crise ética. Poderia ter pego a senha preferencial? O Fá me acalma. Embora minhas crenças pessoais me digam que não estou grávida, a ciência, por ora, diz o contrário, então, tecnicamente, eu tenho direito à senha preferencial. 

Na triagem, conto minha história triste.

Estou grávida de dois meses. E com uma cólica louca. Dói mais as costas, mas dói o pé da barriga também.

A enfermeira se preocupa. Qual o grau de dor, querida, de 0 a 10?

Oito, respondo, sem querer parecer muito exagerada.

O Fá me olha assustado. Sacudo a cabeça e faço um 4 com a mão... Não, pessoal, não é bonito mentir para profissionais de saúde.

Estamos preenchendo a ficha, quando um médico entra na recepção e pergunta se alguém pode doar sangue. Ele tem dois pacientes transplantados precisando.

Eu posso doar! Quer dizer, grávidas podem?

Ele diz que não e faz um afago no meu cabelo.

"Primeiro filho? Ah, agora vocês vão ver o que é amor de verdade... não que vocês não se amem. Mas, você não pularia do prédio por ele. Mas pularia por seu filho. Parabéns!"

Ficamos estáticos. Alguém nos deu parabéns! Vamos ser pais! 

E essa é a primeira vez que nos ocorre essa possibilidade. 

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