Sim, linda, nós vamos falar de cocô.
Cocô, as fezes, não a fruta (que é SEM o acento circunflexo, tá?). Merda.
É, eu sei. Mulher não faz cocô, não solta pum, e muito menos fala de cocô, que dirá escrever sobre!
Quer dizer, menos eu.
Eu sempre falei de cocô. Mas normalmente me refiro a ele como merda. E eu faço cocô. E fico super feliz com isso. E também solto pum, peido e tal.
Não, isso não tem a intenção de ser um post escatológico, ou pra chocar a sociedade.
É para você se acostumar, mesmo.
Cocô vai ser uma das palavras mais pronunciadas por você, futura mamãe.
Pessoas que já adentraram a "mamislândia" podem te confirmar que um dos assuntos mais comentados nas rodas de mães de bebês é o raio do cocô, quanto pesa, a cor, etc... etc. Então, para de fazer cara de nojo e encara logo essa... merda.
Na verdade, uma outra.
Já disse que enjôo é o sintoma gravídico universal. Toda mulher acha que vai enjoar quando grávida. E muitas enjoam, mesmo. Mas, essa não é a única alegria da maternidade.
A outra tem a ver com o cocô. Ou com sua capacidade de produzi-lo.
A dona aqui, por exemplo, sempre foi "na média"com cocô. Uma vez a cada dois dias. Uma vez por dia, nos períodos felizes de alimentação mais regular.
Caganeira, diarréia? Só em caso de calamidade pública e virose "à beira da morte".
Ou princípio de gestação.
Sim, minhas lindas, pode acontecer com vocês. E é normaaaaaaaaaaaaaaal, como lhe dirá seu médico.
Por quê?
Bom, pode ser porque seu organismo, como o meu, rejeite alguns alimentos até então desconhecidos (mamão, que porra é essa?!, perguntou o intestino incrédulo) e cheios de fibras, que você, mamãe preocupada passou a ingerir para gerar um bebê saudável e nutrido.
Também pode ser porque o seu organismo está criando espaço. Ahã. Sabe aquela história de que o útero (vazio, tá?) é do tamanho do seu punho fechado? Grávida, ele aumenta. E nosso corpo não é exatamente um condomínio com amplos terrenos disponíveis. Quando um órgão cresce, ele espreme os outros. E quem é vizinho do nosso amigo útero?
Sim, o intestino (e a bixiga, por isso você também tem vontade de fazer xixi de 5 em 5 segundos). Daí que é normal, conforme o útero cresce, ter umas crises de diarréia.
Realmente, uma dádiva. Pensa que é dieta detox, se te ajudar.
Claro, se a diarréia não cessar, ou se agravar, fale com o seu médico. Pode ser mesmo uma virose.
Enfim, eu não enjoei, como disse. Mas, não podia olhar duas vezes prum caldo de cana, um suco de uva integral e até uma torrada sem manteiga, e lá ia eu em desabalada carreira para o banheiro mais próximo, esperando em Cristo que ele estivesse munido de um papel higiênico decente, ou de qualquer papel, a depender do banheiro.
Quase provoquei um acidente automobilístico familiar na primeira dessas experiências. Foi o raio do caldo de cana. Achei que não devia tomar, mas a gula falou mais alto... pelo menos pedi o pequeno.
Exatos 30 minutos depois, eu estava me contorcendo no banco de trás do carro, tentando não dobrar de dor de barriga, para não deixar minha irmã, que estava dirigindo, ainda mais apavorada com os meus pedidos de "por favor, pare o carro num bar qualquer, que eu preciso usar o banheiro".
Cólica no começo da gestação sempre dá um medão no povo todo. Em nós, inclusive. Mesmo quando a gente sabe que é dor de barriga.
Numa situação dessa, filha, todo mundo vai saber que você faz cocô. Pacas, aliás. Você vai precisar pedir pro marido, mãe, pai, amigo, chefe, parar o carro, eventualmente, ou descer do ônibus, do metrô, ou vai levantar e sair correndo já abrindo a calça. E vão todos ficar ansiosos toda vez que você fizer cara de quem comeu banana verde. Porque "tomara que seja uma caganeira"e não uma cólica realmente preocupante.
Portanto, fica a dica, aceite que você faz cocô. Caga. Vai te ajudar a passar essa fase.
Sim, porque é uma fase. Depois dela, vem outra. Que também tem a ver com o cocô.
Poderia ser batizada como "cocô-zero". Mas, inventaram um outro nome: prisão de ventre.
Pois é. Da abundância à escassez... uma lição de vida, praticamente.
Para nós, mulheres, ou boa parte de nós, esse assunto não é exatamente novidade, né? O trânsito intestinal das fêmeas da espécie humana nunca foi lá essas coisas.
Pois é. Na gravidez, PIORA.
E qual a diferença, então, dos tempos A.G (antes da gestação)? Você (e seu humor) estão mais sensíveis a variações de temperatura, pressão e frequência intestinal, por assim dizer.
A palavra entupida talvez nunca faça tanto sentido, como então. Pois é exatamente assim que você se sente.
Tudo o que você vai querer na vida é comer uma caixa de cereais com fibras e ter um momento libertador no vaso sanitário. Sem dor e sem ilusões...
Fibras, as castanhas, os mamãos (mamão é vida!), os activias... você vai testar qualquer coisa, acredite!
E vai comemorar cada cocôzinho que conseguir fazer. Se tiver um marido, namorado... enfim, alguém que seja parceiro/a nessa gravidez, ele/a vai comemorar junto com você.
Eu, nessas horas, acabo sempre lembrando do meu pai. Quando a gente era criança ele fazia uma coisa que era bastante irritante e nos deixava (pelo menos a mim) envergonhados.
Se a gente demorasse mais de dois minutos no banheiro, quando saíamos, ele perguntava se a gente tinha feito cocô. Se a resposta fosse sim, ele perguntava a cor, se era grande, em bolinhas etc.
Não sei até hoje se ele estava fazendo algum estudo sociológico sobre o cocô dos filhos, se era algum tipo de monitoramento paternal da nossa saúde, ou se era só pra irritar já que a gente ficava puto da vida com essas perguntas.
Talvez fosse para nos libertar da vergonha do cocô. Essa coisa da gente não assumir que caga, falar que caga e, principalmente, saber que cagar é importante.
Tem muita gente no mundo que a gente diz que é mal amada, mas que na verdade sofre de prisão de ventre. Acredite.
Fato é que, grávida, eu descobri que o cocô, sim, traz felicidade. E que a gente não deve ter vergonha disso.
E que, se meu pai fosse vivo, eu ficaria amarradona em dizer pra ele: "pai, fiz cocô! Tô livre!".
Então, linda, cague e seja feliz. Perca a vergonha do cocô.
PS: no fim da gravidez, as diarréias podem voltar, porque o bebê está com quase meio metro e o espaço interno é o equivalente a um porta malas de fusca, com estepe.
PS2: se você achou esse texto nojento e sem noção... bem, lembre-se dele quando tiver hemorróidas (outro sintoma bem comum da gravidez e associado à prisão de ventre).
PS3: sim, cocôs reprimidos ou libertos normalmente vem acompanhados de gases. Grávidas peidam.